32º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Estejam preparados

1ª Leitura: Sb 6,12-17
Sl 62
2ª Leitura: 1Ts 4,13-18
Evangelho: Mt 25, 1-13

* 1 “Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes. 3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro’. 7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas. 8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: ‘Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As prudentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar’. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: ‘Senhor, Senhor, abre a porta para nós’. 12 Ele, porém, respondeu: ‘Eu garanto a vocês que não as conheço’. 13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.»


* 25,1-13: Nesta parábola, o noivo é Jesus, que virá no fim da história. As virgens representam as comunidades cristãs, que devem sempre estar preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a prática da justiça (o óleo).

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

O noivo está chegando

Os três últimos domingos do ano litúrgico são marcados pela ideia do fim: a vinda do Senhor Jesus com sua glória, referência final do homem e do mundo. As leituras evangélicas são tomadas do “Sermão escatológico” de Mt 24-25. No cap. 24, ele segue a tradição de Mc 13 (ver ano B). No cap. 25, ele traz três parábolas típicas de sua própria tradição. Hoje ouvimos a primeira: as aias aguardando o esposo, numa festa de casamento (evangelho).

Nos casamentos, na Palestina do tempo de Jesus, o noivo se dirigia com seus amigos à casa da noiva, que o esperava com as suas companheiras (as aias); depois, em cortejo alegremente iluminado pelos fachos ou lamparinas das aias, a turma toda se dirigia à casa do noivo, que, ao introduzir a noiva, a tornava sua esposa. Seguia-se, então, uma grande festa popular, com danças e banquete. Esta cena da vida de seu povo inspirou Jesus para falar da perspectiva final. “Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas” era uma sentença neste mesmo sentido (Lc 12,35). Na parábola das dez aias esta ideia é mais amplamente elaborada. Elas devem ter suas lâmpadas prontas para a chegada do noivo. Ora, no Antigo Testamento, Deus mesmo é representado como o esposo que, “naquele dia”, tomará novamente Israel a si como esposa (Is 54,4-8 etc.).

Estar pronto para a festa das núpcias escatológicas… Estar pronto é ser previdente, pensar no Noivo que vem. Exige afetuosa atenção, amor, esperança. O contrário é ser imprevidente, não se preocupar com o momento importante que se está vivendo. Não é por causa de um cochilo que as cinco insensatas ficaram excluídas da festa, mas porque seu coração estava distraído, não atento ao Noivo que devia vir. Por isso, tomaram-se estranhas para ele, que não as reconheceu (Mt 25,11-13). O mesmo acontece com os que não procuram, de coração, a vontade de Deus, mas ficam num mero formalismo, da boca para fora (Mt 7,22-23). Ficar esperando alguém, sem pensar nele de modo eficaz, é formalismo, uma espera meramente exterior, sem o coração. Foi essa a falta das moças imprevidentes.

A parábola quer exortar-nos à vigilância escatológica. Ora, vigilância escatológica é outra coisa que ficar calculando o dia do último juízo. É ter o coração junto àquele que se espera, empenhado no que ele espera de nós; é amor. Amor das moças felizes de lhe servir de aias. Amor da doméstica que cuida aplicadamente da casa (Lc 12,35-38; Mt 24,45-47). Para nos prepararmos para o reencontro com o Cristo glorioso, tanto no fim dos tempos quanto no fim da nossa existência, basta termos amor à sua causa, tornarmos nossa a sua causa. Isso já é uma antecipação desse encontro; já suscita em nós, antecipadamente, um pouco de sua alegria. Quem não nota a discreta alegria nas faces da namorada que está na rodoviária esperando seu noivo chegar? Assim também, a prontidão escatológica não é um escrupuloso calcular para estar “em dia”, mas a alegria de quem, desde já, na esperança, vive a presença de seu Senhor – e assim também não terá dificuldade para passar a eternidade com ele.

Tomar nossa a causa do Cristo, que é a causa de Deus e seus filhos, especialmente dos mais fracos (cf. 34° dom.); servir a seus servos, não por medo, mas por amor diligente, essa é a existência escatológica na alegria e dedicação do dia-a-dia. Em cada instante, nossa atuação deveria ser digna da presença eterna junto de Deus. A existência definitiva não inicia no imprevisível momento do fim do mundo ou da morte, mas agora. A hora atual é a hora de Deus. Cristo vem sempre (cf. 34° dom.).

1ª leitura fala da procura da sabedoria. Para a encontrar é preciso, exatamente, essa diligente aplicação. O salmo responsorialcanta o anseio de ver Deus. São temas que nos colocam no espírito da leitura evangélica.

2ª leitura é uma resposta de Paulo aos problemas que os tessalonicenses levantaram com relação ao Último Dia. Tinham um conceito muito material e imediato da Parusia, da vinda de Cristo. Diante da tardança da Parusia achavam que os que já morreram não poderiam ir ao encontro do Senhor. Paulo lhes assegura que não é assim. Na hora H, os que “dormiram em Cristo” (morreram com a fé nele) serão ressuscitados e precederão aqueles que ainda estiverem com vida.

oração do dia (disponibilidade) e a oração final (perseverar) sublinham o tema evangélico. Também a oração sobre as oferendas merece atenção, por causa de sua delicada formulação. Como prefácio pode-se utilizar o VI dos domingos comuns (a perspectiva escatológica).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

A “Parusia”

O fim do ano litúrgico é marcado pelo pensamento do Fim – fim e finalidade da vida e do mundo. Isso coincide com o fim da pregação de Jesus conforme os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas: em todos os três, os últimos diálogos da vida pública de Jesus giram em torno do Fim e do Juízo.

1ª leitura nos ensina o que é “vigilância religiosa”: quem levanta cedo encontra a sabedoria de Deus sentada à sua porta… E, no evangelho, Jesus narra a parábola das jovens companheiras da noiva, na noite do casamento: as previdentes levaram óleo para esperarem o cortejo nupcial com as lâmpadas acesas, mas as negligentes se atrapalharam e ficaram sem óleo e sem festa! Quem se prepara para o acontecimento revela a atenção de seu coração; quem vive distraído mostra o contrário. A vigilância atenta é uma forma do amor, amor que nos toma dispostos a encontrar o Cristo em qualquer momento, mesmo se ele demora. A atitude certa diante do Fim esperado é o amor, não o medo.

“Como o noivo demorasse”, diz o evangelho (Mt 25,5). A teologia falou muito na demora da “Parusia”, termo que significava a festiva visita do Rei e, daí, a vinda gloriosa de Jesus. Os primeiros cristãos esperavam a volta de Cristo para breve. Assim, por exemplo, os tessalonicenses (2ª leitura) esperavam a Parusia para já, mas estavam preocupados com o destino dos fiéis que já morreram. Ficariam excluídos? Paulo lhes assegura: os que já faleceram ressuscitarão primeiro, para entrar na glória de Cristo, e depois seguirão os ainda vivos, entre os quais, ele mesmo (v. 17)! O bonito deste texto é o anseio para estar sempre com Cristo, todos unidos.

E nós, hoje, como ficarmos de prontidão, se depois de vinte séculos de espera ele ainda não veio? Geralmente imagina-se a vinda de Cristo exclusivamente como sua volta no fim dos tempos, para julgar o mundo e a história. Mas Jesus vem também em nossa vida, já. Por exemplo, no pobre que nos interpela (como veremos no 34° domingo). Aos pobres, pelos quais Cristo vem a nós, devemos dedicar a mesma atenção “vigilante” que dedicaríamos a Cristo, se ele voltasse hoje.

Mantenhamos, pois, nossas lâmpadas acesas, alimentemos nossa “espiritualidade”, o espírito alerta para o encontro com Cristo. Vivamos cada momento do dia como um possível encontro com Cristo. Façamos de manhã nossa “agenda” com vistas ao encontro com Cristo em nossos irmãos. Quem vamos encontrar? Com que espírito?

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes