Resiliência no tempo presente

O termo resiliência, vem do latim resilie significa saltar, ir à frente, impulsionar-se continuamente, reinventar-se e adaptar-se às circunstâncias. É a mudança de passividade diante de uma realidade para uma ação, que gera mudança e transformação pessoal a fim de vencer as dificuldades, ou em termos populares, é a capacidade de se reinventar e seguir adiante.

O contexto atual gera pessoas ansiosas, cansadas das tarefas cotidianas, irritadas e insatisfeitas, vazias e sem alegria, obrigadas a viver sob a velocidade da comunicação e praticidade da vida, forçando estar alertas, gerando tensões, estresses e cansaços. Renovar-se e lidar com as adversidades se posta como necessidade de bem estar físico, emotivo, psíquico e espiritual. O não se abater em meio às adversidade nos coloca como seres resilientes.

Dessa forma, forjar uma resiliência afetiva capaz de criar condições de diálogo entre diferentes, permitindo uma convivência saudável entre as culturas e realidades, capaz de forjar soluções de forma comunitária é necessidade para uma qualidade de vida que seja saudável e integral. O cristianismo, em Jesus, é presença que promove resiliência, transforma a realidade de conflito, adversidade em paz, ternura e vitalidade com sua presença. Paulo aponta para algo mais que nos vem pela fé e dá esperança ao tempo presente: Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Rm 8, 28) O olhar transcendental que aponta para o Infinito, que é o próprio Deus, impulsiona o ser humano a se colocar como criatura digna de confiar, de preencher-se de esperança e de alegria, ao saber que tudo está em Deus e Ele está em tudo.

Porém, a resiliência não é algo extraordinário ou uma qualidade rara, mas é uma mágica comum, algo que vem das capacidades, relacionamentos e recursos normais do cotidiano. Todos nós precisamos de aumentar nossa resiliência, pois todos temos altos e baixos e não se pode controlar o que acontece na vida, mas se pode criar uma variedade de habilidades e recursos para responder com flexibilidade e lidar com os desafios e também aprender e crescer com o resultado final.

Necessitamos e precisamos de reconstruções, não se abater, a ser responsável e, definitivamente, protagonista de sua história buscando sempre o melhor. O poema de Carlos Drummond Definitivamente apresenta os sofrimentos definitivos que a vida impõe e que são simples a partir dos sonhos não cumpridos, sofre-se pelas projeções e projetos não realizados, sofre-se pelos cansaços, pelas dores do dia-a-dia, pelas inconfidências, sofre-se por dor e por amor… Nisso perde-se a vida pelo amor não dado, pela força não usada, pela prudência não arriscada. Esquiva-se do sofrimento e não o enfrenta com a resiliência necessária e perde-se de vista a felicidade. Resta a conclusão de Drummond: A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

 Geraldo Trindade

Padre em Pedra Bonita (MG), arquidiocese de Mariana. Contato: pensarparalelo@gmail.com