Céu: nossa cara Pátria

É necessário parar para refletirmos o motivo no qual queremos alcançar o Paraíso

Se alguém perguntar à uma multidão de cristãos quem dali quer o céu, todos, ou pelo menos a grande maioria irá dizer que sim. Mas devemos parar para pensar por que o-queremos.

Os santos, os padres, os catequistas, todos dizem que o Céu é um lugar de paz, de tranquilidade, sem dores, sem sofrimentos, sem perigos, aflições ou doença. E tudo isso claro, é a mais pura verdade. No entanto, se estamos desejando a salvação por esse motivo, não passamos de grandes egoístas que pensam somente no próprio umbigo.

Quantas vezes olhamos o relógio quando estamos na missa. Com quanta pressa rezamos o terço. Como é difícil passar mais de trinta minutos em uma adoração ao Santíssimo. Comungamos e não damos a devida ação de graça. Fazemos uma oração de joelho e logo queremos nos levantar. Se somos tão ansiosos para nos afastar de Deus, o único lugar que merecemos é o inferno, pois lá não precisamos estar em louvor e oração.

Como somos hipócritas ao dizermos que queremos a Vida Eterna se não somos capazes de estar em missas, retiros, adorações sem a companhia de um amigo. Se nosso coração não está totalmente desapegado com o mundo, com as pessoas, como aguentaremos passar toda a eternidade em solidão com Deus?!

Como estão lotados os shows católicos, como as missas de natal são cheias. Onde estão essas pessoas quando Jesus está solitário na capela?

Nossa ambição pelo Céu deve ser para retribuir a Deus todo amor misericordioso que a nós é ofertado.

Cristo sofreu perseguição antes mesmo de nascer. Ele ainda estava no ventre quando a humilde família de Nazaré fugiu dos malfeitores, para que o Menino Rei nasça em uma estrebaria, junto a sujeira e ao frio.

Cresceu, curou doentes, ensinou a Lei de Deus, ajudou os pobres, expulsou os demônios, rezou pelos inimigos, perdoou os devedores. Foi trocado por um ladrão. Foi traído por seus amigos. Abandonado por seus discípulos – aqueles mesmos no qual Ele deu a mão. Foi flagelado, apunhalado, humilhado, ferido com uma lança. Tudo isso para nos salvar. Ele é Deus, Ele é Rei, o Todo Poderoso, Tudo pode. Poderia salvar a humanidade sem derramar uma gota de sangue sequer. Mas preferiu o caminho doloroso para nos ensinar que o amor verdadeiro se sacrifica. E depois de tamanha paixão na Cruz, até hoje é insultado, esquecido, traído, humilhado, injuriado.

 

“O amor não é amado” – São Francisco de Assis.

 

Nosso desejo pelo Céu deve ser para ter a capacidade de amar a Deus por toda a Eternidade porque Ele merece. Eu sendo eu, pobre, pequeno, miserável e ingrato, mesmo assim Deus me quer. E o mínimo que posso dar é uma vida de renúncias por Ele e a Eternidade de adoração perpétua.

“Eu gostaria de fazer empreender às almas que a Eucaristia é o Céu, posto que o Céu não é senão um Sacrário sem portas, uma Eucaristia sem véus, uma Comunhão sem fim” – Santa Teresa dos Andes

Por que dizemos tantas vezes que queremos ser salvos, ser santos e não passamos a vida terrena nos dedicando ao Deus imolado sendo que é Ele mesmo que está no Céu?

Quando queremos o Paraíso para ter um lugar de descanso para aliviar nossas minúsculas dores e incômodos, não passamos de mesquinhos.

O amor não é vaidoso. O amor em nada pensa além do bem-estar de seu amado.

Devo querer o Céu para reparar tanto amor que a humanidade desperdiça.

Quantos abortos, quanta promiscuidade, quanta prostituição, quantas blasfêmias, quantas heresias, quantas mentiras, quantos assassinatos, quantas guerras, quantas imodéstias, quantos sacrilégios, quantas facadas no coração de Jesus!

ORAÇÃO: Oh Deus, tenha Misericórdia de mim! Tenha Misericórdia de nós pecadores. Tenha Misericórdia do mundo inteiro. Não somos dignos do Céu. Nem depois de mil missas, mil adorações, mil penitencias e jejuns, mil terços, novenas ou ladainhas, nem depois de toda mortificação, castidade, pobreza e obediência, nem depois disso seremos dignos de Vosso Amor que foi provado no Calvário. Nunca seremos o bastante. Somos como uma gota no oceano que é o Vosso Coração. Mas tenha piedade de nós. Não Vos recordeis dos tempos passados quando cometemos nossos grandes pecados. Dai-me a graça de Te amar. É a única coisa que te suplico.

 Aline Menezes 

Jornalista e Catequista

Membra do Apostolado Doutrina Católica