De que forma se ama a Deus?

Primeiramente, é fundamental exaltar a beleza da doutrina católica, que nos indica como se manifesta a real presença do Espírito Santo.

A alma unida a Cristo não se limita a meros instantes de euforia apaixonada, mas se realiza em plenitude da santidade de vida.

É de grande lamento que o “amor” exposto pela humanidade é somente uma esmola fingida. Este “amor” não é o mesmo propagado por Jesus.

Precisamos entender que amor não é um sentimento. Pois as emoções são passageiras, mudam com o cair do sol. Fome, sede, frio, cansaço ou ânimo são afeições que sentimos e logo passa. O amor é decisão que se firma nas provações do dia a dia.

Para compreendermos como se ama basta observar os relacionamentos conjugais. No início do namoro, é normal que haja os entusiasmos da paixão. O arrepio, o choro, a risada, a cegueira otimista, as juras de fidelidade eterna e mil sonhos que faz viajar na imaginação.

Porém, com o passar dos anos, não serão os prazeres a sustentar o casal, mas sim a decisão da doação constante, do perdão custoso e das renúncias duras.

Assim é o amor espiritual, que ultrapassa o melodrama passageiro de choros e arrepios, para se consolidar em sacrifícios penitenciais. “O amor não consiste em sentir grandes coisas. Mas em despojar-se e sofrer pelo amado” (São João da Cruz).

É preciso acrescentar que muitos, ainda que entendam o sentido do amor, permanecem com atitudes egoístas. Veja bem, é possível o cristão realizar profundos atos de oferta na intenção de receber recompensas celestes ou elogios mundanos.

Porém, o amor quebra o espelho. Não é um olhar direcionado para si, mas para o seu amado.

“Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.

Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que já receberam sua plena recompensa.

Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”. (Mat 6,1-4)

Não precisamos esperar as recompensas de Deus, pois Ele já nos ama. Ele já entregou todo o seu amor, e provou isso no martírio da Cruz.

Desta forma, o que resta é que nós amemos a Cristo, e que façamos nossas doações sinceras.

A primeira etapa do amor santificante é o esvaziamento de si mesmo e o preenchimento de Deus. Quem ama, procura diariamente o abandono da satisfação e dos confortos pessoais para escolher o caminho agonizante.

A segunda etapa é o amor por si mesmo, não de forma egoísta, mas sim caridosa. Quem ama a si não peca, mas busca a santidade pois deseja o melhor: a verdadeira alegria que provêm do alto. Como diria São Padre Pio “A vida é um calvário; mas convém subi-lo alegremente.”

A terceira etapa é o amor ao próximo. O autêntico católico é aquele capaz de se doar: dar comida aos famintos, dar água aos sequiosos, dar vestimenta aos nus e teto aos desabrigados. E principalmente, luta ferrenhamente pela conversão dos pecadores, pela perseverança dos justos e pelo alívio das almas no purgatório.

Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo (Santa Teresinha). Já toda me dei, e, assim, de tal sorte me hei mudado, que o Amado é para mim e eu sou para o meu Amado (Santa Teresa D’ávila).

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Cor 13, 4-7)

Oremos para que a Santíssima Virgem Imaculada, aquela que doou sua vida por amor, possa interceder por nós seus filhos. Que Ela nos ensine a amar o sacrifício, as dores, as mortificações e as renúncias se assim for necessário para alcançar a salvação. Assim seja, amém!

 

Aline Menezes, jornalista e catequista