É possível ser feliz apesar dos sofrimentos?

Salve Maria Imaculada! –

“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se! ” (Fp 4,4)

Desde o início dos tempos, a humanidade sofre com grandes catástrofes, guerras, crises, pobrezas e diversas outras mazelas. No entanto, nunca se viu uma geração com tanto índice de depressão como a atual.

Parece ser um estranho resultado, já que na contemporaneidade é incentivado a liberdade, seja de expressão, de “gênero” ou de “família”. Onde os jovens têm abertura para viver todo tipo de devassidão sem serem condenados, em que as pessoas são totalmente independentes de princípios conservadores e desprendidas de preceitos cristãos. Por isso, como entender essa forte onda depressiva?

É exatamente por isso: as pessoas abandonaram a santidade. Quem é livre de Deus é escravo do mundo, quem é escravo de Deus é livre do mundo. Esta é uma reflexão que precisamos ter em mente, pois diariamente procuramos felicidades frívolas e prazeres passageiros, nos esquecendo do que de fato preenche a alma.

O cristão autêntico precisa transbordar a verdadeira alegria. Mas como? De que forma podemos transparecer uma paz sincera diante nossos sofrimentos do cotidiano?

É necessário compreender que as dores, as cruzes, as perdas, as discussões, os problemas financeiros, os medos, as doenças e etc. são realidades da vida de todo ser humano. Mas que o católico é capaz de converter tudo isso em escada para o céu.

Nossos exemplos são os santos, aqueles que alcançaram ápice do amor e da devoção. Por isso, olhemos para as suas vidas: Santa Filomena, quando ainda era jovem, foi obrigada a se casar com o Imperador da Grécia, que iria matar o pai da menina caso ela não aceitasse o convite.

No entanto, apesar no medo, Filomena não cedeu pois havia feito votos de castidade. Devido esse fator, ela foi presa e torturada, depois açoitada em praça pública e jogada em um calabouço.

Por fim, o maldoso rei mandou que amarrassem uma âncora em seu pescoço para que ela seja atirada em um tigre. Em seguida, a jovem foi arrastada por toda a cidade, ameaçada por flechas, colocada em uma fogueira, e enfim, decapitada.

Todos esses sofrimentos foram porque Santa Filomena amava a Deus e prometeu aceitar o martírio para evitar desagradar o Sagrado Coração de Jesus.

Nisso consiste a verdadeira alegria: estar em comunhão com Cristo. Estes santos possuíam uma enorme fé por conta das lutas e orações diárias. Nada seria possível sem a fortaleza e a graça de Deus.

“Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma” (Eclo 30, 22-25)

A alegria proposta por Cristo não é sentimental, pois as emoções são sensações passageiras que não duram com o tempo. O que Nosso Senhor nos oferece é uma paz sólida, daqueles que não se abalam com as catástrofes mundanas, pois existe um Paraíso de portas abertas a nos esperar.

Outro caso impressionante é o de Josefina Bakhita, que soube compreender a razão dos sofrimentos, pois são eles a santificar e trazer uma verdadeira paz. A Santa foi escrava durante toda sua vida, sofreu abusos e flagelações terríveis. Mas com certa idade, conheceu a Igreja Católica, que viria a ser seu refúgio e porto seguro.

Uma vez Bakhita disse: “Se eu encontrasse de novo aqueles negreiros que me sequestraram e também aqueles que me torturaram, me ajoelharia para beijar as suas mãos, porque, se não tivesse acontecido isto, eu não seria agora cristã e religiosa”.

Santa Josefina Bakhita atingiu o discernimento do que é alegria. Ela entendeu que se trata de uma certeza convicta, um amor profundo por Deus, a ponto de passar por todas as dores possíveis se forem elas as pontes para encontrar a salvação.

Nosso coração precisa estar desapegado com as coisas do mundo. É importante ter em mente que as pessoas não nos devem nada. Não nascemos para ter vida próspera. Fomos criados para amar a Deus, ter uma intensa vida de oração, e servir através dos nossos irmãos.

A segurança dos santos tem origem divina, pois ela provoca a tranquilidade da alma e a certeza da justiça. Como diria Santa Teresa dos Andes: “Quando se ama tudo é alegria, a cruz não pesa, o martírio não se sente, vive-se mais no céu que na terra.”

Quando Paulo escreveu as cartas aos Filipenses, mencionou mais de dez vezes termos de contentamento e alegria. Onde estava o apóstolo quando registrava tais reflexões? Na prisão. Ou seja, este grande homem estava tão íntimo de Deus que nem as celas seriam motivos de desânimo.

Que possamos, pelo exemplo de Paulo, Filomena, Josefina Bakhita, e de todo o batalhão de santos, encontrar a verdadeira felicidade que provém de Deus. Que a Virgem de Guadalupe nos guie com seu olhar, para que nossos corações estejam voltados a agradar a Nosso Senhor, buscando diariamente as virtudes. Assim seja, amém!

Aline Menezes, Catequista e jornalista