Fé e oração. Será que juntas “curam” o corpo e o espírito?

Construindo uma resposta sistematizada a partir dos incalculáveis testemunhos de pessoas que afirmam terem sido curadas “por meio” delas, fervorosamente, sem limites – podemos afirmar que sim.

Se hoje, assim como ocorreu naquele tempo (cf. Mt 9,20-22; Mc 5,25-34; Lc 8,42-48), com a mulher que durante uns doze anos sofreu com uma doença, o (a) crente se aproximar de Cristo Jesus através das orações [diálogos/amizade], e tocá-lO com o coração ardente de amor, a cura poderá surpreender não somente o doente, mas também todos os que estão próximos, fazendo-os enxergar o quanto a fé pode regenerar e pode promover grande paz no coração.

Como a oração é intangível e abstrata e em nenhum momento entra em sintonia com o nosso sistema sensorial, sendo promovida e estimulada apenas pelo poder da mente –, e como também não é constituída por qualquer tipo de norma, regra ou padrão a ser seguido, todo seu incremento e sentimento são exclusivos da pessoa que a ela se propõe. A petição pelas curas corporais ou espirituais sempre está vinculada a uma resposta concebida pela via da fé e da esperança. Conforme 1Cor 6,17 unidas ao Espírito do Senhor, d’Ele o (a) fiel recebe graças e milagres que transcendem o entendimento humano.

A priori é essencial reconhecer que as curas não “chegam” somente pelo efeito das próprias orações, ou seja: sozinhas não são autossuficientes. Os cristãos as identificam como milagres de Deus [forças do Criador/emanente], porém, pela ação da fé e abertos para manifestação da Trindade, elas têm seu princípio aqui [forças das criaturas/imanente] que, como cocriadores – superabundam graças e milagres.

No caminho da fé Católica, este artigo segue seu desenvolvimento com particularidades do louvável pensamento filosófico de Aristóteles e sua Metafísica: Deus é a causa final. Mas qual seu significado em nossa reflexão? A partir d’Ele e com Ele […] O Criador age na mesma ação/colaboração da criatura, com Ele se inicia e se consuma (cf. Sl 29,3;40,3; Mt 11,28; 2Cor 12,9). Este pensamento sustenta a razão do porquê inúmeras vezes as orações respondem aos anseios dos que creem.

Mesmo seguindo alguns princípios básicos da fé/experiência e da razão/filosofia, “Duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” (Fides et Ratio, J. Paulo II), também é possível obter algumas respostas mais condizentes em relação ao poder das orações entrando em dois campos de pesquisas: A Teologia acadêmica como ciência hermenêutica, dando algumas respostas à espiritualidade como experiência de vida – àquilo que se busca em Deus-Trino pela via da fé, e a Medicina “operando” pelo método da ciência. Entretanto, quando o tratamento médico recebe o poder da fé, junto com o apoio das orações, a “recuperação acontece mais rapidamente”, não somente em situações de menor gravidade, como em grandiosas. São milagres, e como tais, inexplicáveis também pela área médica [ação/mistério do Divino].

Como Deus se manifesta na história – no chão da vida, cada vez mais a ciência tem se aproximado d’Ele. Vale a pena pesquisar no Google ou no YouTube algo como: “ciência comprova a cura pela fé”, para encontrar várias respostas significativas, justificadas por meio de experiências, de testemunhos, de estudos e pesquisas, e de resultados de exames médicos de pacientes que oram e clamam cheios de fé e de esperança e obtém curas inexplicáveis pela ciência.

Contudo, mesmo diante de pessoas que afirmam viver sob uma fé forte e intensa – “maior do mundo”, com toda razão os médicos têm sido taxativos ao pedirem aos pacientes para não excluírem os tratamentos, buscando somente a cura pela via da fé. Porém, eles estão cada vez mais surpresos, não somente com os testemunhos, mas, principalmente com os resultados de exames que comprovam melhoras em pequenos casos clínicos; estabilização de quadros graves, e a cura de quadros gravíssimos. Mas a causa de “perplexidade/atenção” tem sido mesmo a experiência junto com estas pessoas de fé, comprovando curas e recuperações bem mais rápidas – surpreendentes.

O Livro Espiritualidade e Oncologia, Conceitos e Prática (Editora Atheneu), apresenta alguns resultados de pesquisas bem relevantes, realizadas no Hospital do Câncer de Barretos. Podemos relacioná-las ao coping religioso-espiritual: 94,1% dos pacientes consideram importante que os profissionais de saúde perguntem sobre a espiritualidade; 99,2% utilizam a espiritualidade/religião para um melhor enfrentamento; 99,6% afirmam que pessoas com câncer precisam de suporte espiritual/religioso durante o tratamento; 98,3% dos profissionais de saúde concordam que o suporte espiritual/religioso é necessário para os pacientes oncológicos. O livro também relata outra pesquisa realizada com 369 pacientes no Saint Vincent’s Comprehensive Cancer Center, NY: 52% consideram apropriado que o médico pergunte sobre suas crenças; 58% consideram adequado que o médico pergunte sobre suas necessidades espirituais, mas apenas 9% dos profissionais perguntam sobre elas. No mesmo Livro, outro estudo multicêntrico realizado com pacientes acometidos de câncer já avançado e incurável em radioterapia paliativa e com seus médicos e enfermeiros mostrou que: 77,9% dos pacientes, 71,6% dos médicos e 85,1% das enfermeiras acreditam que o cuidado espiritual apresenta impacto positivo para os pacientes; entretanto, apenas 25% deles haviam recebido cuidado espiritual prévio.

Esses resultados são significativos, e quando somados a outros estudos relevantes para a questão da fé, como os apresentados no Livro How God changes the brain (Como Deus muda o cérebro) lançado em 2009, mostram como a ciência e os crentes confiam nas ações de graças do Senhor. Como cristão é profícuo crer: a condição para um milagre é a dificuldade, e para um grande milagre, a impossibilidade. Não é a Teologia falando, é a consciência evolutiva dos homens dobrando os joelhos para Deus e seus inúmeros milagres – no Milagre da Vida.

Partindo da premissa de envolvimento com alguma crença religiosa, ou não, está comprovado que através da espiritualidade/fé, quando o ser humano busca chegar a um ser superior – uma divindade como fonte de amparo, nem sempre, mas inúmeras vezes, inexplicavelmente [arcano], têm respostas positivas, não só para aliviar os momentos de tormentos espirituais provocados por várias situações, como para significativas curas corporais.

Como a fé está acima da razão e da religião, “talvez justifique” os milagres. Então, convivendo na pluralidade deste universo, uma resposta mais coesa para estas quatro questões pode ser desenvolvida por meio de um raciocínio embasado em que elas se consolidam através de uma “energia conjunta”, com princípio direto da própria fé – da ação da pessoa – dotada de alma espiritual/poder mental [Ser holístico cf. 1Ts 5,23], conduzindo seus pedidos a “alguém superior/divindade”. São forças concentradas no mesmo objetivo. Então, a posteriori, o raciocínio se forma/realiza pelo efeito da ação – promotora da causa [Bem Divino].

Independente daquilo que o ser humano busca do “alto” como corolário espiritual, convertendo-o principalmente em bem particular [resposta de conforto e de paz, principalmente nas tribulações], lá está O Criador Deus-Pai. Como Ele fala todas as línguas e está presente entre todos os povos, crentes ou não, Sua Trindade é a razão eficiente. Conclui-se: Deus é amor e o princípio do Amor, então, tudo que promove o bem, a paz e o amor entre suas criaturas, Ele é o fim –, princípio emanante de todo Bem.

Para a maioria de cristãos, católicos ou não, quanto mais presentes nas ações de suas instituições [vida religiosa comunitária = celebrações/cultos, ministérios, pastorais e movimentos], mais colhem testemunhos diários de fiéis curados pela fé e pela oração. Mas é preciso zelo e cuidado redobrado aos depoimentos dissimulados, manipulados por “falsos profetas” do nosso tempo, “criadores de testemunhos” em benefício próprio.

Devido às coisas do mundo, cada vez mais nossa sociedade tem buscado o apoio da ciência e espiritual em resposta às aflições provocadas por doenças corporais e espirituais, estimuladas principalmente pelo “pacote da modernidade”, que in-diretamente tem promovido vários tipos de doenças. Perde-se a paz e isto desestabiliza os padrões naturais do organismo humano. Pode parecer inverídico, mas sem generalizar, a sociedade está doente – precisando de muitas respostas/manifestações do “alto”.

Como consequência do modelo social contemporâneo, principalmente o das grandes cidades, os milagres e as graças têm sido urgentíssimos nas vidas dos fiéis. No Reino dado a nós, o povo clama e ora [ação dialógica da criatura], Deus responde, não numa concepção “intervencionista”, ou porque o induzimos a dar, pois Ele sempre está muito disposto a dar. “Deus vivo e salvador, desejoso de relação pessoal conosco” (Andrés T. Queiruga).

Mas como orar corretamente, existe uma fórmula exata para se pedir, pois nem todos são curados. É por que sabem rezar; tem mais fé, são os escolhidos, são privilegiados, ou são merecedores? Certamente, não! Nenhuma destas hipóteses pode ser aceita como condizente frente ao amor incondicional de Deus por todos (as), sem distinções. Deus não qualifica e muito menos escolhe alguns para edificar suas obras. Essa resposta transcende nosso entendimento – é metafísica.

É uma ousadia humana querer adivinhar o que Deus pensa, e como, pela GRAÇA realiza milagres na vida do (a) fiel. Entretanto, quando pela fé (cf. Mc 5,34) o homem espiritual busca uma íntima união com Sua Trindade [Pleroma, cf. Cl 1,19; 2,9], esta comunhão edifica/fortalece ainda mais a relação Deus-criatura, sendo via direta de/para Sua Redentora ação de amor – de curas espirituais e corporais.

Por Cristo, com Cristo, e em Cristo.

Orlando Polidoro Junior

Teólogo pela PUCPR e pastoralista

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