Ressurreição é uma Nova Vida

“Dicit ei Jesus noli me tangere nondum enim ascendi ad Patrem meum vade autem ad fratres meos et dic eis ascendo ad Patrem meum et Patrem vestrum et Deum meum et Deum vestrum” 

“Disse-lhe Jesus: “Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”.”  Jo 20, 17

Todos os anos celebramos a Paixão-Morte e Ressurreição de Cristo, mas será que de fato paramos um pouco para refletir o que é a Ressurreição?

Segundo Relato de São João (Jo 20, 1-18), no domingo, Maria Madalena vai ao sepulcro de Jesus e o encontra o mesmo aberto e com a pedra rolada para o lado. Assim ela corre e vai falar com os discípulos, que logo após a notícia vão ao Sepulcro e percebem que de fato o corpo já não se encontrava ali. Lentos em compreender não entenderam o que a Escritura dizia. Sem dúvida já estavam com medo e agora ainda mais, porque imaginaram com certeza que haviam roubado o corpo do Senhor Jesus. Maria permaneceu no sepulcro de Jesus, e aí há uma manifestação de Deus através dos Anjos que perguntam a Maria Madalena porque chorava. Ela responde que não sabe onde está o Corpo de Jesus. Virou para trás, mas não reconheceu a Jesus. E Jesus lhe pergunta: “Por que choras? Quem procuras? ” Ela lhe responde confundindo Ele com um jardineiro: “Onde o puseste Senhor que vou buscá-lo?”. Jesus lhe diz: “Maria” e ela responde: “Mestre”. Jesus lhe diz: “Não me retenhas, mas vá a meus irmãos e diga-lhes que subo ao meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”.

Tentei expor aqui o relato através de uma leitura que fiz e utilizando de minhas próprias palavras. Percebam que Maria não reconhece Jesus, por que isso se dá? Pelo fato que o Ressuscitado apesar de ser o mesmo Jesus que andou por esta Terra se encontra glorificado, portanto, esse corpo espiritual é diferente deste corpo terrestre, pois ele está glorificado na plenitude da vida. Pois bem, a ressurreição não é só um retornar a vida e continua-la, a ressurreição é uma nova vida, que encontra a plenitude na vida espiritual. Cristo rompe com a morte e abraça um novo modo de viver que não é somente um retornar a vida, é uma vida plena e glorificada, surgida de Deus. Talvez não possamos entender essa nova vida, pois ela não tem limites espaço-temporais como observamos nos outros relatos da Escritura e mesmo na vida pública de Jesus.

É de fato, uma nova vida. É a vida nova em plenitude, é a vida que Deus preparou para nós. É a vida de comunhão plena com Deus, e que em Cristo ela foi perfeita, pois nele não existia as trevas que existem em nós. Só poderemos entender a ressurreição plenamente no fim dos tempos quando Cristo nos ressuscitar. Mas, podemos ver pelos relatos que essa nova vida é grandiosa e misteriosa ao mesmo tempo. É o mesmo Jesus de Nazaré que caminhou e viveu nesta terra, porém seu corpo é glorificado, é um corpo espiritual, diferente deste corpo de corrupção. Nos diz São Paulo:

“Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no despre­zo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual. Como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gn 2,7); o segundo Adão é espírito vivificante. Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo veio do céu.” 
I Cor 15,42-47

Portanto, a ressurreição não é mera volta a vida como uma continuidade, é de fato, uma nova vida. E como podemos ressuscitar com Cristo em nossos dias? Bem o fato é que precisamos primeiro romper com aquilo que é terrestre e que nos afasta de Cristo. Precisamos estar neste mundo e viver suas realidades, mas elas devem nos conduzir a Deus. Romper com o pecado com as trevas. O primeiro propósito para o penitente e pecador é repudiar o pecado e se emendar, o que seria isso, é desprezar o pecado e trilhar um caminho de conversão a Deus. E por que sempre fazemos esse propósito e nunca nos convertemos de verdade, porque ainda não assumimos a realidade da nossa vida, ou temos dificuldades pois estamos vivendo somente o mundano que nos afasta de Deus (entenda como mundano aqui os prazeres carnais, apego ao que é material e etc) e não o espiritual. Não é romper com o mundo de fato, pois mesmo se quisemos não poderíamos fazer tal coisa. Mas é viver no mundo com o coração voltado a Deus, é de fato romper com o pecado e caminhar por novos caminhos.

Vida nova é isso a ressurreição e porque não ressurgir agora e já? Cristo está a porta do sepulcro da nossa vida e nos chama para fora, para a Ressurreição, para a vida nova. Eu, preciso ouvir sua voz como Madalena e reconhecer o mestre e retirar todas as amarras do pecado, das trevas, da escuridão e do demônio e sair, sabendo que agora é nova vida que se dá.

A vida velha ficou no passado, a vida nova da Ressurreição aparece a minha frente. Eis a Vida Nova, abracemos a Vida Nova, a Ressurreição, a Vida Espiritual que nasce, abandonemos as trevas e vivamos o Novo de Deus, a Vida de Ressurreição. Não dá para continuar nas estruturas de trevas. “Eis que faço novas todas as coisas” ( Ap 21,5) diz o Senhor que nos chama a porta de nossos sepulcros. Eis a Vida Nova. A escolha entre sair do sepulcro ou não é só sua. Eu não posso fazê-la por você. A Escolha que faço é sair desse sepulcro malcheiroso, escuro e cheio de trevas e desejo profundamente a vida nova em Deus. E clamo: “Veni Creator Spiritus” e me auxilia neste novo viver, como entrastes naquele sepulcro e ressuscitastes Jesus, entra na minha vida e ressuscita-me Espírito de Deus.

Desejo a todos os leitores e amigos do nosso Apostolado Doutrina Católica, uma Feliz e Santa Páscoa, repleta de Vida Nova e de Vida em Deus.

Um Abraço,

Júnior César Monteiro

Fundador do Apostolado Doutrina Católica.

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