Um olhar sobre o nascimento de Cristo sob a perspectiva de Lucas

Ao observamos o Evangelho de Lucas no seu capítulo 2, dos versículos 1 ao 20, percebemos fatos interessantes que muitas das vezes nos passam desapercebidos.

Lucas neste Evangelho nos mostra num primeiro momento os dois primeiros versículos que mostram que Jesus de fato nasceu na história humana. Para comprovar tal fato o Evangelista fala do Edito de César Augusto e do recenseamento no período do governador Quirino. Talvez não se comprove o fato deste evento com documentos da época. Mas, é fato que diversas fontes históricas comprovam que tais recenseamentos aconteceram. Com estes dois primeiros fatos demonstra-se que Jesus de fato se encarnou num tempo histórico e numa época. Assim, os planos humanos e projetos Divinos se tocam embora com objetivos diferentes. É o Divino que toca o humano. Observamos que Deus assim quer penetrar a história humana com o mistério da Encarnação de seu Filho Jesus Cristo e trazer a Salvação a todos os seres humanos.

Assim devido tal acontecimento do recenseamento José teve que ir até sua cidade Belém com sua esposa Maria, que estava grávida. Ela foi junto, pois, segundo o costume as mulheres deveriam se apresentar de forma pessoal para o recenseamento. Esta viagem de Nazaré a Belém na época durava por volta de 4 a 5 dias, uma distância aproximada de 150 Km viajando em caravanas. E o que acontece quando estão em Belém para o recenseamento? Diz que o tempo de Maria se completou e ali ela tem seu filho. Eles tentam pedir hospedagem, mas não encontram lugar para eles, sendo rejeitados talvez pela pobreza do casal, se instalam num local destinado aos animais ao lado da hospedaria. Esse local como nos relata alguns comentaristas Bíblicos poderia ser a tal manjedoura que é “uma casa semi-escavada na rocha ou uma gruta adaptada como moradia, com uma habitação familiar e um recinto contíguo como estábulo” (Bíblia do Peregrino, 2011). Vale lembrar que no século II, com São Justino nasce a tradição que afirma que Cristo, o Salvador tenha nascido numa gruta. De certo modo como podemos observar parece uma tradição que apresenta certo fundamento.

Nestes trechos percebemos assim que Cristo entra na história humana, nasce no meio da humanidade, tem uma cidade Natal, que é predita pelo profeta Miqueias (Cf. Mq 5,2). O Salvador nasce assim na pobreza material e porque não espiritual, não é festejado como um Rei humano. Se faz humilde e pobre no meio dos Homens, se despoja de sua Divindade, mas não deixando de ser Deus.   

Naquela região segundo o Santo Evangelho há uns pastores que experimentam a Glória de Deus, sua intervenção na vida Humana. Aparece um anjo enviado por Deus e uma grande luz que os deixou com medo de todo esse acontecimento. O mesmo anjo diz aos pastores que não deveriam ter medo e nem temor, pois trazia uma boa nova, uma grande alegria, uma Boa notícia. O anjo assim é portador da boa notícia, ou do Evangelho. Eis a grande notícia: “Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 11). Lucas assim nos anuncia o nascimento de uma pessoa que é identificada como o Salvador, o Messias e o Senhor, nasce como um homem comum, porém, Ele é o Filho de Deus, O Messias aguardado desde o Antigo Testamento pelos profetas e pelo povo. O Anjo ainda dá um sinal interessante aos pastores: “Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). Daí junta-se uma multidão de anjos que louvam a Deus dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens que ele ama” (Lc 2, 14). Percebe-se no trecho ainda o temor dos pastores a tudo que aconteceu, ou seja, a manifestação divina aos homens, foi algo de sobrenatural foi sinal de Deus. Estes pastores com o passar do temor ou do medo tem indicações de como encontrar essa criança através desse anúncio do Salvador feito pelo Anjo. Deus cumpre assim a promessa a seu povo de enviar o Salvador e demonstra por fatos extraordinários vividos por poucos, como os pastores, que de fato ama os homens e que eles têm sua benevolência ou benquerença. Deus quer salvar os seres humanos.

Ao sinal dado os pastores partem para a cidade de Davi para procurar esse menino deitado numa manjedoura e cheio de panos ou faixas. Eles partiram para Belém e de fato encontraram Maria, José e o menino como indicado pelo anjo do Senhor. É interessante ressaltar alguns pontos deste retalho de texto. Os pastores se movimentam, andam, caminham para encontrar tudo aquilo que o Anjo disse. Vale ressaltar que muitas vezes nós humanos temos que ver com olhos e tocar com nossas mãos a matéria para comprovar algo. Olha a atitude dos pastores, vão de encontro daquilo que o anjo anunciou a eles, sem mesmo saber se iriam encontrar, uma atitude de quem se lança na penumbra da fé. Os pastores assim são testemunhas oculares de tudo que ouviram e viram, ou seja, os fatos são comprovados e anunciados. Cabe-se ressaltar que há um pequeno intervalo entre o nascimento de Cristo e o anúncio aos pastores e a ida dos mesmos até a gruta.

Outro fato interessante é a atitude bela e exemplo que nos dá a Virgem Maria, ela conserva tudo em seu coração no silêncio. Maria contempla todo o mistério de Deus que começa a ser anunciado pelos profetas, na Anunciação e no nascimento de Cristo. Como Maria devemos nos colocar diante do mistério de Deus em silêncio e meditando os mesmos em nossos corações. Permitindo assim que o Cristo, o Senhor, venha fazer morada em nossa manjedoura humana, o nosso coração, o íntimo de nós.

Poderia aqui escrever diversas páginas falando desse relato belíssimo da Escritura, me detenho a ressaltar alguns pontos importantes que passam sem percebemos.

Desejo a todos os leitores, amigos, membros e colaboradores do nosso Apostolado Doutrina Católica, um Feliz e santo Natal e que Cristo possa de fato nascer em nossos corações neste Natal, enchendo de sentido a nossa vida.

Um abraço fraterno em Cristo,

Júnior César Monteiro –  Fundador do Apostolado Doutrina Católica

Bibliografia:

Bíblia Sagrada do Peregrino

Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição de Estudos

Bíblia de Jerusalém

Novo Testamento do Pontifício Instituto Bíblico de Roma