A importância da participação dos leigos e leigas na missão da Igreja e na sociedade.

 “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos” (1Jo 1,3).

Quem são os leigos?

“Sob o nome de leigos entendem-se aqui todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados a Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e a seu modo feitos participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, exercem, em seu âmbito, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo.” (Catecismo n. 897).

“Uma vez que, como todos os fiéis, através do batismo e da confirmação, são destinados por Deus ao apostolado, os leigos, individualmente ou reunidos em associações, têm obrigação geral e gozam do direito de trabalhar para que o anúncio divino da salvação seja conhecido e aceito por todos os homens, em todo o mundo; esta obrigação é tanto mais premente naquelas circunstâncias em que somente através deles os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer o Cristo”. (Código de Direito Canônico, 225 § 1).

Desafio vocacional

É preciso suscitar no coração dos leigos e leigas a importância da sua vocação missionária, e o quanto ela contribui para o bem de toda a Igreja e da sociedade (Ad Gentes, n.21). Em saída, cheios do amor de Deus-Trino em ações práticas de amor ao próximo (Jo 15,17), os leigos devem refletir, com sabedoria, seu protagonismo neste contexto, reconhecendo o valor pessoal de seu ministério na comunidade. Serviço prezado; movido e enaltecido intensamente pelo Amor de Jesus Cristo em todas as ações pastorais desenvolvidas pela igreja (Apostolicam Actuositate, n.2).

Conforme os desígnios de Deus […] em plena comunhão com a Santíssima Trindade, com a nossa Igreja e o Papa Francisco, necessitamos de um novo Pentecostes (At 2,1-4) no coração de cada um, para que, impregnando o mundo com o espírito cristão (Gaudium et Spes, n.43), possamos bendizer e retribuir com muita alegria e esplendor todas as graças recebidas do alto, compartilhando-as fraternalmente em grandes atos de caridade [amor pleno ao próximo], frente às missões pastorais que, em caminhada, representam a imagem de Jesus Cristo — a Pedra Angular que sustenta fielmentea edificação do Projeto de Deus para todo seu povo amado (1Pd 2,6-8).

O apostolado dos leigos

Como membros vivos na missão da Igreja, todos os leigos são chamados a desenvolver funções que incrementam a perene santificação da própria comunidade (Lumen Gentium, n.33).

Atuando benevolentemente em trabalhos voluntários que atingem a vida do próximo por meio de pastorais; movimentos e em missões fora da Igreja, os leigos e leigas continuam a escrever, com louvores, o Ato dos Apóstolos (Jo 13,12-17).

De semelhante para semelhante, a participação dos leigos não está somente nas missões desenvolvidas dentro das comunidades eclesiais (Apostolicam Actuositate, n.13), pois muitos se lançam às Bem-Aventuranças fora da igreja, dedicando voluntariamente boa parte de suas vidas em ações de misericórdia e solidariedade em instituições de saúde, casas de assistência aos idosos e crianças, casas de recuperação de usuários de entorpecentes e de álcool, e tantas outras belíssimas obras de promoção humana (Mt 5,7).

Focado mais precisamente em ações pastorais nas igrejas, imaginemos a quantidade de fiéis engajados em todas as comunidades do universo cristão. São milhares de leigos (as) envolvidos na estrutura eclesial, e, juntamente com o clero: bispos, presbíteros e diáconos (Apostolicam Actuositate, n.25), como membros ativos ajudam na missão evangelizadora, anunciando Jesus, O Cristo – cabeça da nossa Igreja — movida pela ação do Espírito Santo (Apostolicam Actuositate, n.3).

Hoje, é impossível manter as estruturas de atuação das nossas comunidades eclesiais sem o apostolado dos leigos (Catecismo, n.900).

O ministério dos leigos

As portas de nossas igrejas estão sempre abertas para todo fiel desejoso em participar como Povo de Deus, elevando em virtudes seu tríplice múnus de Cristo (Lumen Gentium, n.31), ao continuar a missão evangelizadora iniciada por Jesus de Nazaré — deixada a nós através dos frutos do Espírito Santo (Apostolicam Actuositate, n.2).

Pelo chamado a um enobrecedor projeto de vida pessoal, sendo, pela Graça, um instrumento para a construção do Reino de Deus (Catecismo, n.2820), todo discípulo missionário deve engajar-se ativamente em algum ministério eclesial, ou em obras de ações sociais voltadas ao bem da comunidade, pois estando incorporado mais ativamente às obras divinas nos humanos, produz frutos vivificantes que o elevam ainda mais a um estado contemplativo de amizade com o Pai — servindo-O em ações de fraternidade, realizadas e reconhecidas em todas as missões exercidas para o bem comum da humanidade (Gl 6,10). “Consagram a Deus o próprio mundo” (Lumen Gentium, n.34).

Para os leigos que ainda não “reconheceram o chamado”, podemos interceder em orações, clamando ao Espírito Santo para iluminar a alma missionária desses irmãos, manifestando em seu interior o desejo de agir na difusão do Evangelho (At 18,18.26; Rm 16,3).

Todos os leigos (as) Incorporados a Cristo estão em plena Comunhão com seu corpo vivo em nossa Igreja — revelando em unidade o sentido universal da graça alcançada em comunidade (Apostolicam Actuositate, n.10).

O serviço ao próximo é um dos maiores testemunhos de fé do verdadeiro cristão, pois formando um só corpo em Cristo (Rm 12,4-5), construímos aqui, todos os dias, um pedaço do céu — onde Deus está a serviço de suas amadas criaturas (Mc 10,45).

Movidos pelos dons e carismas recebidos do Céu, a participação dentro das comunidades pastorais aproxima muitos irmãos a contemplarem um grau mais elevado de espírito evangélico, pois estando mais enraizados e fortalecidos de conhecimentos do Plano de Deus, conseguem serem bons propagadores do seu Reino (Apostolicam Actuositate, n.5).

O envolvimento com a comunidade paroquial gera diversas oportunidades de formações “fides quaerens intellectum”,[fé em busca de entendimento – Santo Anselmo], estimulando a participação em cursos, palestras, estudos bíblicos, Teologia, grupos de orações e tantas outras providências do Céu — elas edificam e animam com sabedoria divina e discernimento humano [fé e razão], “valores do Reino no âmbito da vida social, econômica, política e cultural” (Documento de Aparecida, n.212). Pela Graça, O Verdadeiro Amor ilumina os caminhos para “as coisas” de Deus, fazendo com que se recebam verdades de fé e de caridade plena ao próximo (Rm 13,10).

Leigos – discípulos missionários

Para os que já atuam em comunidades eclesiais, a perseverança é um dom a ser sempre animado pelo Espírito Santo, pois o cansaço e a fraqueza podem levar ao afastamento da missão. Por isso, é necessário “renovar seu carisma original” (Documento de Aparecida, n 311). A obra necessita de cristãos com o coração extasiado pela paz do Senhor (Jo 14,26-27).

Reflexão à Luz do Espírito Santo

Com o resplandecer da Nova Primavera exaltada com imensa riqueza pastoral pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, colhendo e semeando bons frutos dessa estação, nossa Igreja coloca os cristãos laicos como protagonistas da Igreja em saídasujeitos da evangelização no mundo.

A missão de anunciar a Boa-Nova para o mundo tem seu início principalmente dentro das comunidades pastorais das igrejas, visto que, tendo Cristo como cabeça; o clero, os religiosos (as) e os leigos e leigas como seus membros, juntos, com planejamento, vocação, visão apostólica, perseverança, fé, e principalmente muito amor ao próximo, fortalecem o Reino de Deus — unindo os que mais necessitam ao amor incondicional e a infinita Misericórdia de Deus-Trino.

Caminhando e evangelizando através do amor ao próximo e não de proselitismos, mas sinalizando o bem maior da paz interior prometida por Jesus, o protagonismo dos leigos promove ações redentoras, capazes de mostrarem ao mundo, o quanto O Deus criador deste mundo pode transfigurar nossas vidas. Mas para isso é preciso conhecê-LO abundantemente — é preciso estar próximo, pois é na vida que Ele se revela plenamente.

                     Por Cristo, com Cristo, e em Cristo.

Referências:

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2010.

Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

CELAM. Documento de Aparecida. São Paulo: Paulus, 2008.

Código de Direito Canônico. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. São Paulo: Paulus, 2014.

Por: Orlando Polidoro Junior – Teólogo pela PUCPR