Liturgia do Rito Romano -18/10/2020

S. Lucas, Evangelista

 | Do 18.10.2020 | 2ª classe | 20º Domingo depois de Pentecostes

Epístola

2 Cor 8, 16-24
Meus irmãos: Dou graças a Deus por haver despertado no coração de Tito a mesma solicitude por vós; pois não só recebeu a exortação que lhe fiz, mas, estando cheio de trabalho, partiu voluntariamente para junto de vós. Enviamos, também, com ele um irmão, que se tornou célebre pela pregação do Evangelho em todas as igrejas, o qual além disso foi escolhido pelas igrejas para nos acompanhar nas nossas viagens (nesta obra de caridade que praticamos para a glória de Deus) e secundar a nossa boa vontade. Com isto queremos evitar que alguém possa censurar-nos a respeito desta abundância, de que somos os dispensadores; pois tratamos de praticar o bem, não só diante de Deus, mas também diante dos homens. Enviamos ainda com eles um dos nossos irmãos, que reconhecemos em muitas ocasiões ser solícito, o qual, agora, mostra mais zelo ainda pela muita confiança que tem em vós, seja por causa de Tito, que é o meu companheiro e colaborador junto de vós, seja por causa dos nossos irmãos, Apóstolos das igrejas, e glória de Cristo. Mostrai-lhes perante as igrejas a vossa caridade e justificai que temos razão de nos alegrarmos a vosso respeito.

Evangelho

Lc 10, 1-9
Naquele tempo, escolheu o Senhor ainda setenta e dois discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante d’Ele, a todas as cidades e lugares onde devia ir, dizendo-lhes: «A messe é abundante, mas os operários são poucos; pedi, pois ao Senhor da messe que mande mais operários para a messe. Ide; eis que vos envio como cordeiros para o meio dos lobos; não leveis bolsa, nem saco, nem saudeis ninguém pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei em primeiro lugar: «A paz esteja nesta casa»! Se aí houver um filho da paz, a vossa paz repousará nele; e, se não um houver, voltará para vós. Permanecei na mesma casa e comei e bebei do que houver nessa casa, pois o operário merece salário. Não transiteis de casa para casa. Em qualquer casa em que entrardes e vos receberem comei do que vos derem, curai os enfermos que aí houver, e dizei-lhes: «Eis que se aproxima o reino de Deus».

Reflexão

São Lucas é o autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos. Natural de Antioquia, converteu-se ao cristianismo e associou-se a São Paulo, de quem foi fiel companheiro de apostolado. Estava ainda com São Paulo em Roma quando o apóstolo aguardava o martírio na prisão; depois perde-se-lhe o rastro: nada sabemos de seus últimos anos. 

O Evangelho se S. Lucas é, acima de tudo, o Evangelho da salvação e da misericórdia: Por ele se conservam algumas das mais tocantes parábolas do Salvador, como a ovelha perdida e a do filho pródigo. Dante chama São Lucas “o historiador da mansidão de Cristo”. é igualmente a S. Lucas que devemos a maior parte do que samos sobre a infância de Jesus. 

São Lucas não conheceu pessoalmente o Senhor, não é contado entre os apóstolos, assim como São Marcos, o autor do segundo Evangelho. Daí o escolher-se, para o evangelho de sua festa, a narração da missão dos setenta e dois discípulos. 

Liturgia Diária- XX Domingo depois de Pentecostes

Epístola (Ef 5, 15-21)

Irmãos: Tende cuidado em andar com circunspeção; não como insensatos, e sim como prudentes. Aproveitai o tempo, porque os dias são maus. Assim, pois, não sejais imprudentes, mas aplicai-vos a conhecer qual seja a vontade de Deus. E não vos embriagueis com vinho do qual nasce a impureza; mas ficai repletos do Espírito Santo. Entoai salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e salmodiai ao Senhor em vossos corações. Dai sempre e por tudo graças a Deus, nosso Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo [pela Eucaristia]. Submetei-vos uns aos outros no temor do Cristo.

Evangelho (Jo 4, 46-53)

Naquele tempo, havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. Tendo ouvido que Jesus voltara da Judeia para a Galileia, foi ter com Ele, e pediu-Lhe que viesse à sua casa e curasse seu filho, que estava à morte. Disse-lhe então Jesus: Se não vedes milagres e prodígios, não credes. O oficial do rei respondeu: Senhor, vinde, antes que o meu filho morra. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. Acreditou o homem na palavra de Jesus e partiu. Quando ele já ia para casa, vieram-lhe ao encontro seus criados e deram-lhe a notícia de que o seu filho vivia. Perguntou-lhes então a hora em que o doente se achara melhor. Responderam-lhe: Ontem pela sétima hora, a febre o deixou. Reconheceu logo o pai ter sido aquela a mesma hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive. E ele acreditou e toda a sua família. 

O filho do régulo e a utilidade das doenças

Refere São João que, tendo certo régulo vindo pedir a Jesus Cristo que quisesse acompanhá-lo até a casa dele para lhe curar um filho moribundo, o Senhor lhe respondeu: Vai, teu filho está vivo. O régulo creu nesta palavra, e, voltando à casa, soube pelos seus criados que a febre deixara o filho na mesma ora em que Jesus dissera: Teu filho está vivo. “Pelo que creu ele e toda a sua família”. Admiremos neste trecho do Evangelho uma disposição amorosa da divina Providência, que “toca de uma extremidade à outra e dispõe todas as coisas com suavidade” [1]. Aquele bom régulo talvez nunca tivesse pensado em fazer-se discípulo de Jesus Cristo; mas o Senhor atraiu-o a si por meio da doença do filho e comunica-lhe, bem com à toda a família, o mais precioso dos seus dons, que é o da fé. É o que Deus quer fazer também a nosso respeito, quando nos envia tribulações e, em particular, a enfermidade.

Em primeiro lugar, Deus no-las envia a fim de que nos emendemos de alguma falta; porquanto, na palavra de São Jerônimo, “assim como as coisas materiais são lavadas com sabão, assim as almas se purificam por meio das enfermidades e tribulações”. Deus no-las envia também para nos consolidar mais na virtude. Por esse meio nos faz, por assim dizer, tocar com a mão a nossa fraqueza, esclarece-nos acerca da nossa vaidade e desapega-nos das coisas terrestres. Mas, o que é mais importante, as enfermidades, ao passo que diminuem as forças do corpo, reprimem os apetites de nosso maior inimigo, a carne; ao mesmo tempo que nos recordam que a terra é para nós um lugar de desterro, fazem-nos levar uma vida digna de um cristão e estar preparados para a passagem à eternidade. Por isso é que o Eclesiástico disse: “Uma grave enfermidade faz a alma sóbria”. [2]

Tenhamos a persuasão de que Deus não nos envia as cruzes para nossa perdição, mas para nossa salvação. Quando, pois, o Senhor nos visita por alguma doença ou outra aflição, examinemos logo a nossa consciência e reconheçamos que temos merecido essa cruz, e, mais ainda, humilhemo-nos em sua presença e digamos com o bom ladrão: “Recebemos o que merecemos pelas nossas obras” [3]. Entretanto, sem esperarmos que outros no-lo digam, aproximemo-nos espontaneamente dos santos sacramentos, lembrados do que nos diz o Espírito Santo: “Nas doenças deve-se, antes de mais nada, recorrer ao médico da alma, a fim de que nos livre da doença” [4]. Não te é proibido rogar a Deus, como o régulo do Evangelho, que te alivie os sofrimentos. Se, porém, aprouver a Deus deixar-te na tribulação, dize então o que Jesus Cristo, muito mais aflito do que tu, não deixava de dizer no Horto: “Pai meu, se não pode passar este cálice sem que eu beba, faça-se a tua vontade”. Entretanto, consolemo-nos com a esperança do paraíso, que é um bem tão grande, que, para o ganharmos, todo o trabalho é leve. “Eu tenho por certo”, diz o Apóstolo, “que os sofrimentos da vida presente não têmproporção alguma com a glória futura que se manifestará em nós [5]. A tribulação que nos vem no presente, momentânea e leve, produz em nós, de modo incomparável e maravilhoso, um peso eterno de glória”. [6]

Santo Afonso Maria de Ligório